- Os bancários continuam greve por tempo indeterminado. Esse foi o resultado da assembléia realizada pela categoria no final da tarde desta quinta-feira (16), que se reuniu para avaliar a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O Comando Nacional dos Bancários rejeitou proposta apresentada pela Federação dos Bancos (Fenaban) por ser considerada muito ruim pelos dirigentes sindicais.
- Policiais civis do estado de São Paulo entraram em greve por tempo indeterminado às 8h de 16 de setembro. O movimento atinge delegados, investigadores, escrivães e peritos, que pedem aumento de salário e melhores condições de trabalho. Por volta das 16h desta quinta-feira (16), policiais civis em greve entraram em confronto com equipes da Polícia Militar (PM) na Rua Padre Lebret, no Morumbi, na Zona Sul de São Paulo.
Essas foram as notícias mais exploradas pelo jornalismo brasileiro, seja de circulação regional ou nacional, nos mais diversos meios: rádios, Tv's, jornais e internet, neste 16 de outubro.
Além disso, teve destaque o jovem de 22 anos, Lindeberg Alves, que mantém como refém em um apartamento no ABC Paulista, desde segunda (13), a ex-namorada de 15 anos.
Enquanto isso... “Na capital, cerca de 600 pessoas da Assembléia Popular, MST e MTST fizeram uma marcha na região da Avenida Paulista. As/os manifestantes fizeram um ato no estacionamento de um supermercado e distribuíram à população arroz produzido em um assentamento da Reforma Agrária”. Essa atividade fez parte das mobilizações para marcar o Dia Mundial da Alimentação. No Brasil, movimentos sociais do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão, Mato Grosso, Espírito Santo, Paraíba e Minas Gerais realizaram manifestações.
O objetivo dos diversos tipos de protestos é chamar atenção para os alarmantes números da fome no mundo e a urgência de políticas para combatê-la. Reforma Agrária, Soberania Alimentar, Fortalecimento da Pequena Agricultura foram as principais lutas evidenciadas nos atos.
A preocupação é com a superação de um problema que já chegou a matar cerca de 20.000 pessoas por dia.
Contudo, os maiores veículos de Comunicação do país “fecham os olhos” para essas manifestações. Aliás, divulgam, mas desconstroem, criminalizam, selecionam as imagens e as falas das fontes de acordo com seus interesses capitalistas. É por isso que o Jornal Nacional (Rede Globo) e o Jornal do SBT veicularam apenas uma Nota Coberta sobre o Dia Mundial da Alimentação e as manifestações no Brasil, usando expressões como “invadiram”, “quebra-quebra”, entre outros termos que vão se fixando na mente das/dos telespectadores brasileiros. O apresentador do Jornal do SBT, Carlos Nascimento, diz (no off) que “um dos motivos da manifestação é protestar contra o agronegócio, ou seja, contra as empresas que produzem os alimentos no país”, assim finalizou a nota.
À elite detentora das concessões da “nossa” Tv pública não interessa destacar a discussão que os Movimentos Sociais fazem a respeito do agronegócio, das multinacionais, transnacionais, da exploração de trabalhadores nas reservas de minerais, da destruição da Amazônia, por exemplo. Interessa muito menos mostrar o porquê desses Movimentos defenderem a Agricultura Familiar, o Desenvolvimento Sustentável, a Agroecologia, o reconhecimento de comunidades Quilombolas e Indígenas, o crescimento da Economia Solidária, entre outras iniciativas que vão de encontro aos interesses do Império do Capitalismo.
Chico Buarque então tinha razão quando cantou: “Ninguém notou, ninguém morou, na dor que era o seu mal. A dor da gente não sai no jornal”. Mas é preciso enxergar para além das notícias dos jornais, aí é que Rubem Alves também tinha razão ao dizer: “As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar o mundo”.
Façamos esse exercício diário e seremos mais críticos/as diante da televisão, do computador, do rádio, do jornal, da política, da arte, da Universidade... teremos mais coragem de lutar contra as injustiças que nos cercam e, muitas vezes, nem nos damos conta ou pensamos que não está nos atingindo. Aí é que a gente se engana. Tá sim.
Por Érica Daiane
